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Transparência mais que versátil.

Vidro é capaz de garantir máxima flexibilidade a projetos de arquitetura

O vidro é um material capaz de garantir máxima flexibilidade a projetos de arquitetura e de interiores. Além de conjugar design e segurança, ele pode atender às mais diversas aplicações através de composições específicas, funcionando como revestimento, barreira antichamas, elemento de controle dos níveis de luminosidade e de incidência de calor e até mesmo como proteção mecânica, contra munições de diversos calibres. Acredita-se que o vidro tenha sido descoberto acidentalmente em 5000 a.C., quando os fenícios usaram blocos de nitrato de sódio para apoiar panelas sobre uma fogueira acesa nas areias da praia. Outros registros indicam que por volta de 100 a.C. os romanos já utilizavam a técnica do sopro em moldes para produzir vidros de janelas. Embora seja, na essência, o mesmo material, não há como comparar o vidro obtido artesanalmente em épocas tão remotas com o produto industrializado e altamente tecnológico, 100% reciclável, capaz de proporcionar arrojo à arquitetura, eficiência energética às edificações, integração visual com outros ambientes ou com o meio externo, garantir segurança e controlar a entrada de ruídos, calor ou excesso de luminosidade. Essa série de características positivas fazem do vidro um dos insumos mais versáteis da atualidade, dentre aqueles destinados à arquitetura e à construção civil. Os mais utilizados pelo segmento são os laminados, os temperados e os de controle solar. Boa parte dos vidros especiais é resultado de processos de beneficiamento do laminado - vidro de segurança composto por duas ou mais lâminas interligadas por uma ou mais camadas de polivinil butiral (PVB) ou resina. “Os vidros tornam-se especiais quando passam por processos que agregam características de desempenho. Podemos ter um vidro de controle solar e acústico que reúna ainda serigrafia e camada com partículas de dióxido de titânio na face externa para tornar a superfície autolimpante”, exemplifica Cláudia Mitne, arquiteta e gerente de marketing da GlassecViracon. Controle Solar: O mercado oferece grande variedade de tipos, cores e espessuras e não é possível eleger um deles como o melhor vidro para cada situação específica. Existe um amplo leque de normas técnicas brasileiras que estabelecem parâmetros dos vidros para as mais variadas utilizações, dentre elas a NBR 7.199, que abrange projeto, execução e uso do material na construção civil. De modo geral, a escolha depende da finalidade, das condições técnicas para aplicação e, no caso de janelas ou fachadas, está diretamente relacionada à localização do empreendimento, à orientação solar e à relação entre áreas transparentes e opacas. “Quanto mais perto da linha do Equador, maior a quantidade de luz e calor. O vidro que funciona bem em um prédio em Londres, por exemplo, onde a luminosidade é bem menor, certamente não é o mesmo que será adequado a um edifício em São Paulo”, compara Fernando Simões, arquiteto e gerente de produtos da Guardian. Controle solar O vidro de controle solar é formado a partir da deposição de camadas de óxidos sobre uma das faces de qualquer tipo de vidro plano, a fim de filtrar os raios solares e reduzir a transmissão das radiações ultravioleta e infravermelha para as áreas internas. “Quando a luz do sol chega aos vidros, parte dessa energia é refletida, parte é absorvida e parte atravessa o vidro, atingindo o ambiente interno. A relação entre essas porções varia de acordo com a cor e o tipo de vidro”, detalha Carlos Henrique Mattar, engenheiro e gerente de desenvolvimento de mercado da Cebrace. Simões explica que esse revestimento é conhecido como coater e composto por várias camadas metálicas cuja espessura total é inferior à de um milésimo de fio de cabelo. “É nanotecnologia aplicada ao vidro. A composição de camadas gera produtos de performances e estéticas diferentes para atender às variadas necessidades de todas as tipologias de edificações”, completa o arquiteto. Segundo Mattar, o desempenho do vidro resulta do balanceamento entre transmissão luminosa (TL) e fator solar (FS), índices que traduzem as diferenças e as características de cada produto. O mercado brasileiro disponibiliza peças capazes de barrar até 80% do calor. Para TL, a tendência aponta para indicadores entre 30% e 40%, podendo-se chegar a números ainda menores, dependendo da composição. “Se o vidro deixa passar muita luminosidade, acabamos tendo menor aproveitamento da luz natural, porque as pessoas se incomodam e passam o dia todo com persianas ou cortinas fechadas”, avisa Simões. Os vidros de controle solar podem ser coloridos, refletivos ou de baixa reflexão, explica Mattar. Estes últimos subdividem-se em seletivos e de alta seletividade - quanto mais luz passar em relação ao calor barrado, maior será sua seletividade.Muitos acreditam que vidros de controle solar são somente aqueles refletivos espelhados, que refletem o céu e o entorno, solução de gosto duvidoso que demonstra desrespeito com os vizinhos, a cidade e os pássaros, que ficam confusos e se chocam contra os prédios. “Serigrafados e insulados são a bola da vez. É cada vez menor o interesse pelos refletivos”, comenta Cláudia. Entre as opções a eles estão os vidros low-e, também conhecidos como baixo-emissivos, usados para impedir a transferência térmica entre os meios interno e externo. Eles possuem uma das faces com camada de prata que deixa passar mais os comprimentos de onda da luz e menos os do calor. “Tendem a ser menos refletivos e mais eficientes nessa relação entre luz e calor”, resume Simões. Custo/benefício: A especificação atenta de vidros para eficiência energética pode reduzir significativamente a demanda pelo sistema de ar condicionado e, consequentemente, o investimento em sua instalação, compensando com sobras seu custo mais elevado. De aspecto idêntico ao dos vidros comuns, o autolimpante garante visão nítida mesmo em dias de chuva Em um estudo de caso apresentado por Simões, a comparação com o laminado comum mostrou que o uso de vidros de controle solar com TL de 35% e FS de 38% significaria para o empreendedor economia de 11 mil reais se o edifício fosse implantado em São Paulo, de 23 mil reais no Rio de Janeiro e de 46 mil reais em Fortaleza. Para vidros de desempenho superior, com TL de 20% e FS de 31%, essas diferenças se mostraram ainda mais favoráveis – 222 mil reais em São Paulo, 237 mil reais no Rio de Janeiro e 255 mil reais em Fortaleza. “Os clientes estrangeiros e aqueles que buscam certificações de sustentabilidade estão atentos e investem em vidros de melhor performance”, afirma Simões. No entanto, ainda existe grande parcela que desconhece os benefícios proporcionados pelo produto adequado. Entre eles estão compradores e especificadores de imóveis residenciais, incluindo os de alto padrão. “Tem gente que nem imagina que o imóvel poderia ter vidros melhores e paga alguns milhões por um apartamento com vidros comuns. Não temos normas técnicas nem incentivos para esse segmento, mesmo assim existem opções para o mercado residencial. São produtos de performance intermediária - TL de 52% e FS de 59% -, mas que já oferecem boa redução do calor e dos raios UV em comparação com o vidro comum, que tem TL de 89% e FS de 87%”, complementa o arquiteto. Outras especificações: O vidro duplo, ou insulado, é uma opção quando a finalidade é obter isolamento termoacústico. Ele é composto por duas chapas entremeadas por uma camada de ar; conforme a composição delas, o conjunto pode apresentar diferentes desempenhos em termos de isolamento. “O vidro insulado mais transparente, incolor, com menos reflexão e menor entrada de calor é uma tendência e nessa composição podemos usar o low-e”, comenta Cláudia. Ela também destaca os serigrafados, que vêm sendo muito utilizados em fachadas de edifícios ou em brises. “Hoje vemos brises horizontais em vidro laminado temperado serigrafado. Nesse caso, eles têm uso externo e sua finalidade é filtrar a luz, o que vai depender do percentual de cobertura da serigrafia”, afirma a arquiteta. Há também aplicações muito específicas, como vidros de segurança para incêndios. “O vidro parachamas se mantém íntegro e não deixa passar fumaça nem fogo. A mesma fabricante oferece o vidro corta-fogo, cujo benefício adicional é não deixar passar o calor. Esses produtos são capazes de resistir a incêndios por períodos que variam de 30 a 120 minutos”, destaca Cláudia. Já para coberturas, fachadas, áreas de difícil acesso e regiões muito poluídas, o vidro autolimpante é uma solução que promete reduzir a periodicidade da limpeza. Ele recebe, de acordo com Mattar, uma aplicação mineral na face externa, o que lhe permite usar os raios UV e a água da chuva para combater a sujeira e impedir a aderência de resíduos. De aspecto idêntico ao dos vidros comuns, garante visão nítida mesmo em dias de chuva. As aplicações de segurança incluem os vidros multilaminados antivandalismo ou blindados. Os primeiros são feitos para suportar impactos como os causados por pedras ou marretas, enquanto os segundos podem resistir a munições de diversos calibres. “A blindagem de nível três é a mais pesada e resiste a tiros de fuzil”, detalha Cláudia. Em sua experiência profissional, ela observou que a procura por vidros blindados para construção civil no Rio de Janeiro cresceu cerca 30% nos últimos três anos. “Geralmente são prédios que têm faces voltadas para morros”, comenta. No Brasil, o mercado da blindagem é normatizado e controlado pelo Exército, que homologa produtos e fornecedores dentro dos parâmetros da NBR 15.000. Em termos de segurança estrutural, existe uma nova película polimérica que substitui a tradicional película de polivinil butiral. Denominada Sentry Glass, ela dá elevada resistência mecânica ao vidro laminado e pode ser usada em instalações como estádios de futebol, grandes panos de vidro de fachada e até em guarda-corpos de varandas engastados diretamente na laje. Publicada originalmente em PROJETODESIGN Edição 377 Julho de 2011